Descubro-me a cada dia. Se o ônibus demora a passar e me deixa impaciente no ponto, ele só me impacienta porque demora a passar. Dentro de mim tenho um trem, um trem bala. Ele passa e atropela todos os atrasos de um eu que queria brotar. Broto, cresço, conquisto espaços. Dentro e fora. Mesmo que o ônibus demore e isso me irrite, lembro-me que aos poucos crio asas. E quase posso voar.
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